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A magia Americana em estilo Nipônico

31 de Março de 2014 | Autores

Texto produzido e enviado pelo nosso parceiro Ademar Júnior extraído da Revista Neo Tokyo nº 95

Desde que começamos essa coluna aqui na Neo Tokyo, temos tido várias ideias e dicas para trazer neste espaço. Todavia, contamos com a participação de vocês no feedback, para sabermos se estamos acertando com as pautas. Estamos sempre abertos a sugestões, logicamente para aquelas que de alguma forma se encaixem no que propomos aqui. No nosso último texto, na edição 92, falamos sobre a série O Protetorado da Sombrinha, de Gail Carriger, que ganhou uma versão em mangá publicada pela editora americana Yen Press.

Nesta feita, resolvemos trazer outra série americana de livros, que virou quadrinho no estilo mangá, também publicada pela Yen Press. Trata-se da série distópica Bruxos e Bruxas (Witch & Wizard), escrita por James Patterson e colaboradores. Até o momento já foram lançados quatro volumes e um quinto está previsto para Março de 2014. Os dois primeiros volumes já foram publicados aqui no Brasil pela editora Novo Conceito. A trama gira em torno de dois irmãos, Wisty e Whit, que são acusados de bruxaria por um governo totalitário. Falaremos melhor sobre o enredo mais adiante, por enquanto, vamos saber quem é o autor. 

James Patterson é um dos autores mais vendidos da atualidade. Segundo o The New York Times, os livros de Patterson já venderam mais cópias do que Stephen King, John Grisham e Dan Brown juntos, no entanto, deve-se levar em conta que Patterson já possui mais de 100 livros publicados. Aqui no Brasil, o autor foi lançado primeiramente pela editora Rocco e em seguida pela editora Arqueiro, que resolveram trazer de início seus livros policiais, as séries Alex Cross, Clube das Mulheres Contra o Crime – essa iniciada pela Rocco e continuada pela Arqueiro – e Private. O autor já apareceu inclusive em um episódio de Os Simpsons e na série policial Castle, como ele mesmo.

Embora seja mais conhecido pelos seus romances policiais, Patterson é um escritor para todos os públicos e já escreveu livros em diversos gêneros. Para o público infanto-juvenil, Patterson lançou especialmente as série Bruxos e Bruxas, Maximum Ride e Daniel X. As três já ganharam versões em mangás, então possivelmente trataremos delas em outras edições. Maximum Ride, a mais conhecida e mais elogiada, já teve seus direitos de publicação também comprados pela Novo Conceito.

Os livros de Patterson, em geral, são escritos em parcerias com outros autores. Na série Bruxos e Bruxas, por exemplo, há colaboradores diferentes em cada volume. Nos volumes já lançados são, respectivamente, Gabrielle Charbonnet, Ned Rust e Jill Dembowski – esse último responsável pelos terceiro e quarto volumes. A escrita em parceria é o que mais contribui para que Patterson trabalhe e publique tantos livros em um curto intervalo de tempo. Só para se ter ideia, ele lançará oito livros entre Dezembro de 2013 e Junho de 2014.

Em entrevista, James Patterson explicou seu processo de produção em parceria como sendo: “Normalmente, escrevo um esboço detalhado, algo em torno de 50 páginas, da ideia que tenho em mente e entrego a um coautor para desenvolver a sinopse. A cada duas semanas, dou uma olhada no material que ele está escrevendo. Quando isso acontece, posso dizer: ‘Puxa, que legal! Vamos em frente’ ou, então, ‘Ei, peraí, precisamos conversar’. Às vezes, um livro pode passar por 8 ou 9 rascunhos até que eu fique inteiramente satisfeito com ele”.

 

A Nova Ordem

Bruxos e Bruxas, primeiro livro da série, conta a história dos irmãos Wisteria e Whitford Allgood, que foram presos acusados de conspiração contra a Nova Ordem, uma espécie de governo totalitário. Na trama, o mundo como conhecemos está sendo dominado por um ser chamado O Único Que É O Único, que como medida de controle resolve prender todos os menores de 18 anos, classificando-os de acordo com seu risco para o governo. Isso porque algumas dessas crianças são dotadas de poderes, são bruxos ou bruxas, e alguns são mais poderosos que outros.

Antes de serem presos, os pais dos garotos presenteiam cada um deles com um objeto. Wisty recebe uma baqueta de sua mãe e Whit um diário em branco do seu pai. Assim, eles são levados para a prisão para aguardarem julgamento e, caso seja comprovada a presença de poderes especiais, à execução. A partir daí eles devem lutar para fugir da prisão, onde descobrem que o mundo é formado por várias dimensões entre a superfície e o submundo, e salvar seus pais, colegas e quiçá o mundo todo. No caminho, eles fazem vários amigos que os ajudarão nessa jornada.

Toda a trama seria interessante não fosse por alguns problemas do livro. O primeiro deles é a narrativa que soa infantil demais, remetendo a um público muito, mas muito jovem. Os capítulos são narrados alternadamente por Wisty e Whit, e embora eles tenham 15 e 17 anos, respectivamente, a narrativa soa como se fosse narrado por crianças entre 07 e 10 anos. Whit está no Ensino Médio, é o bonitão, pegador e atlético, mas se comporta e pensa como se possuísse a metade da metade da idade que possui.

No segundo volume, O Dom, pouco se acrescenta. O ritmo é o mesmo e o conflito não avança muito, o que temos são apenas novas aventuras, reviravoltas e muitas cenas de ação. Entre os personagens, quem ganha destaque é o complexo Byron Swain, talvez o ponto mais positivo nos livros. Byron tem uma personalidade muito dividida, pois é filho de um dos líderes do novo governo, mas acaba se apaixonando por Wisty. Isso faz com que ora ele esteja de um lado, ora do outro, numa espécie de conflito interno perturbador e difícil de compreender em determinados momentos. 

 

 O Único que NÃO É o Único

 O segundo ponto negativo, que seria positivo, se não viesse junto com o anterior, é o excesso de referências. Se um jovem adulto se delicia por conhecer boa parte das referências do livro, ele poderá se incomodar veementemente com a infantilidade excessiva da narrativa. E se o livro for destinado a uma criança, ela provavelmente não pegará nenhuma das referências, o que de certo modo não fará muita diferença para a criança conhecer ou não tais obras tão cedo, ela só não irá se beneficiar com as coisas que o autor inseriu. E como as referências são o ponto mais positivo, falaremos um pouco delas.

A princípio, O Único Que É O Único, aquele que tudo vê e tudo sabe, é uma clara referência ao Big Brother de 1984, de George Orwell. O primeiro volume é dividido em 03 partes em que cada uma remete a um autor ou a uma obra prima da literatura, são elas: Sem Crime, Só Castigo (Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski), Muito Dickensiano (referente ao escritor Charles Dickens) e Admiráveis Mundos Novos (Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley). Na série, todos os representantes da cultura – livros, música e obras de arte – são proibidos aos personagens. No segundo volume há uma fogueira de livros que nos remete a Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Nos apêndices, os livros trazem listas de obras que são proibidas pela Nova Ordem, e, embora venham com nomes modificados, um bom conhecedor pode identificar todas ou a maioria.

 

 O Único que Virou Mangá

 A adaptação para o mangá foi feita pela artista russa, radicada no Canadá, Svetlana Chmakova. A mesma já publicou outros mangás, inclusive foi indicada para vários prêmios, chegando a ganhar um deles. Seus principais títulos autorais são Nightschool (Yen Press) e Dramacon (Tokyopop).

Da série Bruxos e Bruxas, Svetlana trabalhou nos três volumes de mangás já publicados. No seu site, ela diz ter sido um de seus melhores trabalhos, mas que se afastou dessa série para se dedicar mais aos seus mangás próprios. Assim, não se sabe se haverão outros volumes, tampouco se os três já lançados chegarão por aqui, tudo depende do interesse das editoras. Mas como se trata de James Patterson, acreditamos que isso não demore tanto para acontecer.

Em relação à trama nos mangás, devemos dizer que há uma fidelidade muito grande no enredo. Contudo, a história funciona muito melhor no mangá do que no próprio livro. A narrativa cinematográfica de Patterson ganha vida e mais credibilidade nos traços de Svetlana.

Além do mangá, há também uma Graphic Novel em dois volumes: Battle for Shadowland (2010) e Operation Zero (2011). Sem falar que os direitos do livro foram adquiridos para adaptação cinematográfica, ainda sem previsão de lançamento. Se você leu os livros vai adorar ainda mais os mangás, se você não leu, leia e tire suas próprias conclusões, afinal, amar e odiar depende muito do gosto de cada um.

 

 

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