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O tímido príncipe das letras

03 de Dezembro de 2013 | Autores

Na infância, Germano Pereira quase morreu de vergonha quando a professora o levou em todas as salas do colégio para ler em voz alta a redação que acabara de escrever. Foi naquela ocasião que ele soube que levava jeito para as letras. Aconteceu de novo no curso pré-vestibular, com a professora de redação.

Expor-se nunca foi o forte de Germano. Mas, por ironia do destino, tornou-se ator. Desde então ele se mostra através de seus personagens, em cena e nos livros, como faz agora com o lançamento de seu primeiro romance, que sai pelo selo Novas Páginas, da Editora Novo Conceito: Príncipe da Noite.

Na entrevista a seguir, Germano conta de que maneira lida, hoje, com a exposição de sua imagem e de suas ideias por meio da arte; do prêmio Jabuti, conquistado com o livro Satyros 20 anos, que relata a história de seu grupo de teatro; fala um pouco de suas preferências literárias e também da família, sua grande força e inspiração.Para fechar, Germano dá depoimento entusiasmado sobre A casa do céu, lançamento de novembro da Novo Conceito, que ele acaba de ler.

1.Quando você descobriu que sabia escrever?

Muito cedo... E foi horrível! Quando eu tinha sete anos, uma professora amou uma redação que eu tinha escrito e me levou em todas as salas dos primeiros anos para eu mesmo ler a redação e servir de exemplo. Ela ferrou tudo sem saber, porque eu era muito, mas muito tímido, vivia embaixo da saia da minha mãe, tinha vergonha quando as amigas da minha irmã iam pra nossa casa (me escondia atrás da porta, imagina!)... Então, travei total!

Resultado: parei de escrever! E comecei a ter muita dificuldade de expressar o que pensava na escrita. Mas isso era um problema meu, né, e que eu mesmo tinha que transcender... A professora não tinha nada a ver com isso (rs.)... Tempos depois, já no vestibular, fazendo cursinho, aconteceu quase a mesma coisa, mas com outra variável: a professora de redação falou que eu tinha ótimas ideias (usou a palavra “inauditas”, inclusive), só que complementou dizendo que eu não sabia colocá-las no papel... Detalhe:isso aconteceu na frente de 300 pré-vestibulandos!... Me ferrei novamente! Rs.

Parei de escrever AGAIN.

Fiz muita terapia, inclusive análise junguiana, estudei filosofia na USP... e me libertei dos traumas, ou melhor, dos grilhões de Prometeu (rs.). Mas o arremate final se deu no teatro.

Enfim, todos esses componentes, tanto negativos quanto positivos, fizeram parte do processo e me ajudaram a me reconectar.

2.Você é um homem ligado às artes em geral. Seria capaz de escolher uma única forma de expressão? Qual seria ela?

É difícil escolher uma única forma de expressão... Até porque acredito que tudo esteja entrelaçado nesse mar infindável de imbricações artísticas... Mundos paralelos... Hiatos... Fissuras... Potencialidades... A expressão é interminável, e uma tarefa infinita do artista, diria de qualquer ser humano, embora a opressão do cotidiano nos oprima quando menos esperamos.

Tento buscar a erupção do ser dentro de mim, encontrá-lo no momento presente. A escrita tem me dado isso, e mais, um prazer que é difícil colocar em palavras. Então, se tivesse que escolher uma única expressão... Ela seria a abstrata, poisengloba todas as outras.

3. Você acha que dá para viver de escrita no Brasil? Qual é a maior dificuldade na carreira de um escritor, na sua opinião?

 Acredito que é possível, sim!Mas somente com o suporte de uma grande editora, dando toda a força para a divulgação na mídia, distribuição em massa e inventividade... E tudo isso eu encontro aqui na Novo Conceito!

4.Você foi premiado por um livro de não ficção. Como surgiu a ideia de escrever ficção? Por que a escolha desse gênero, de suspense?

O meu segundo livro é de peças teatrais (e também um ensaio sobre o personagem Hamlet, de Shakespeare). Tenho mais de 10 peças de teatro escritas... Algumas surrealistas, inclusive. No teatro podemos experimentar muito... Foi minha escola formativa na escrita... Depois o cinema... Fiz cinco longas como ator, mais três engatados para o ano que vem... A novela das oito na Globo, “Passione”, do excelente autor Silvio de Abreu... (Começarei a estudar para ser diretor de cinema...).  Em todos esses trabalhos, como ator e como diretor, O ESCRITOR sempre esteve presente, analisando, anotando, vendo as formas de escrita...

Mas o principal de tudo é que eu leio muito. Não paro de ler.E de ver séries americanas e inglesas. Acabei de ver a oitava temporada de “Dexter”, que ainda não passou completa aqui no Brasil, e também estou lendo Dexter, do Jeff Lindsay (a obra inteira). Então, escrever um romance é um desdobramento natural... Quando eu tinha 19 anos, escrevi mais de 100 páginas em A4 de um romance e joguei fora... Então, percebi que tinha que finalizar as coisas na minha vida.

5.O que você está lendo agora?

 A série Torre Negra (sete livros) e a biografia de Stephen King.Morte Súbita. Double Dexter. As Crônicas de Nárnia. Bruxos e Bruxas. Mundos Paralelos (livro científico do Michio Kaku). Introdução à Filosofia Matemática, de Bertrand Russell. A Revolução do Amor, do filósofo Francês Luc Ferry.

6.Que escritores te influenciaram? Quais são os autores que você acha que ninguém poderia deixar de ler?

Este que citei por último, por exemplo, Luc Ferry. Estou lendo a obra inteira dele e é um aprendizado. Mas tem vários... Temos que beber nos clássicos... Pra não acharmos que estamos inventando a roda.

7.Você é um homem vaidoso? Qual seria hoje a sua maior vaidade?

Sim. Faço exercícios físicos regularmente e gosto de cuidar do meu corpo e da minha mente. Para mim isso é uma forma de vaidade.

8. O Príncipe da Noite traz uma história inovadora. O que os leitores podem esperar?

Hum, essa história do Príncipe da Noite não tem igual nem na literatura, tampouco no cinema... Realmente é inovadora! E foi um prazer escrevê-la! Os leitores podem ter certeza que o chão vai tremer com as peripécias do Príncipe da Noite.

9.Ao criar suas personagens, você colocou um pouco de você em cada um deles ou procura trazer características de pessoas de seu convívio?

 Hahahahaha! Não vou responder!

10.Você se considera um autor que escreve ou um escritor que atua?

 UM ESCRITOR QUE ATUA! Mas essa pergunta acaba sendo metalinguagem.

11.Você tem preferência por uma das duas profissões (escritor/ator)?

 Hum, difícil responder... Tive e tenho muitos prazeres na atuação e na escrita...

Gravar a novela na Itália com o Tony Ramos, a Fernanda Montenegro e outros “monstros” foi demais... Ser da companhia de teatro Os Satyros é demais também... Muitos prazeres e aprendizados... e escrever, poxa, é mágico!

12.Quais são seus próximos projetos?

Começo a escrever pra canais de TV a cabo. Entro no ar participando de um programa do Discovery sobre cinema e cozinha, se não me engano ainda em dezembro deste ano... Três filmes, talvez quatro.. um deles na Itália... em outro serei o protagonista. Duas peças de teatro, como ator. Produzo outra peça com um texto meu em cima de Dostoievsky.

13.Na Bienal do Rio você disse gostar de física quântica. Pretende escrever algum livro com esse tema?

Física quântica... Esse assunto me fascina. Nunca pensei em escrever sobre o tema. Mas, pensando melhor, pode ser um dos meus projetos mais à frente, já que essa nova física, que rompe com todas as leis tradicionais de Newton, e que sequer imaginávamos, está presente aqui e agora de forma mágica e, principalmente, nos aguardando de braços abertos num futuro próximo. 

14. Muito obrigada pela entrevista! Deixe um recado para os que desejam ser escritores e para os seus leitores.

Eu é que agradeço a entrevista. É um prazer me comunicar com vocês, meus leitores!

Um belo dia minha esposa disse:

— Escreva! Você tem o dom da palavra... É mágico ver você criando a sua própria história.

Penso sempre nessas palavras. Elas me alimentam, e, como dizia a Nobel de Literatura Doris Lessing, “Pode pensar errado, se quiser, mas, seja como for, pense por si”.

Concluo a entrevista dizendo que isso inclui tanto o ato da leitura como o da escrita, que dirá o trajeto de nosso projeto existencial!

RAPIDINHAS:

Uma frase: “A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.”(Nietzsche)

Uma pessoa: Martin Luther King, depois do meu pai e da minha mãe, de toda a minha família, da minha esposa e da minha filha, Sophia, que está prestes a nascer.

Um animal: Elefante, depois dos meus cachorros e das minhas duas gatinhas.

Um lugar: Nova York, depois... Ah, chega de depois. NY mesmo! Rs.

Um livro: A Revolução do Amor, de Luc Ferry.

Um escritor: Jean-Paul Sartre.

Eu adoro: Viajar.

Eu odeio: A corrupção no nosso país!

Um desejo: Que muitas pessoas gostem da minha literatura. 

O que ele está lendo da Novo Conceito: 

“Estou fascinado com a história real de Amanda Lindhout em A Casa do Céu. Ela me lembra a força extra comunal do Dalai Lama quando expulso de sua terra natal no Tibete. É impressionante perceber como o perdão, a resiliência (viver tragédias transcendendo-as), o olhar para fora-de-si-mesmo, a compaixão, e a visão do macro-sistema, são motes e ferramentas fundamentais de Lindhout. Essa é a chave de seu sucesso. Na verdade, esse é o segredo para todos que querem vencer na vida e conquistar suas felicidades primordiais, não importando em que parte ou altura do caminho espiritual cada um esteja.” 
 

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