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Uma dramática gripe e os compromissos inadiáveis com as palavras!

17 de Junho de 2014 | Tammy Luciano

Estou me sentindo cansada e desanimada. Quero ficar jogada na cama, não olhar relógio, não atender telefone, ficar no escuro e no silêncio, até me sentir melhor. Parece que estou deprimida, um desânimo dentro de mim, mas não é isso, é só uma dessas gripes chatas que faz a gente querer deitar no chão ou ser carregada no colo por alguém. Deito no sofá, a linda vista do meu apartamento me faz acalmar, olhando as estrelas. Sinto a saliva descendo pela garganta e mexo as pontas dos pés para lembrar que ainda tenho alguma força.

Um som barulhento toca dentro da minha cabeça, tentando me lembrar alguma coisa. Busco o que está apitando dentro da mente, mas nada parece relevante para me tirar de uma tentativa de repouso, enquanto também tento que o ar entre pelo meu nariz entupido. De repente, escuto um grito. Sou eu mesma berrando comigo:

- Tammy, você não escreveu para o Blog da Novo Conceito? Esqueceu a coluna semanal?

Nãooooo. Meu corpo responde no meu lugar. Nãooooo. Não posso ter esquecido de escrever o texto. Quando acharia que a gripe pesaria tanto em mim? Sinto vontade de chorar. Não paro de tossir e a minha garganta está arranhada. Estou em paz, deu para notar? #soquenao, como dizem os meus leitores. Como escrever um texto nesse estado?

- Vamos lá, Tammy Luciano! Levante desse sofá, escreva a coluna. Chega de mais e mais lamentações.

Um texto não nasce sozinho. Esse fato é a descoberta mais dolorosa dos piores dias de um autor. Muita gente me pergunta como consigo escrever livros, peças de teatro, crônicas e não desanimar. Nessas horas, entendo como a arte intensa nos quer agora, de pé. É hoje, sem demora, produzindo...

Levanto do sofá, caminho até a mesa, pego o computador. Preciso trabalhar. Melhor beber antes um pouco de água e respirar fundo. A gente não escreve só quando está bem. Escritor profissional assume um compromisso sério, sem muitas pausas, produzindo muito mais do que imaginou e as pessoas sonham.  

Minha gripe é quase uma personagem, uma antagonista sem trégua, uma vilã capaz de derrotar a protagonista, deixando o leitor ansioso e louco para o autor trazer a reviravolta da história.

Escrevo aceleradamente. Estou falando, digitando, sem pensar muito, tentando me superar, enquanto continuo nas tentativas de respirar. Um ar perfeito entra dentro de mim. Não sei explicar, mas a cada palavra escrita eu melhoro de maneira inacreditável. Me renovo quando escrevo. Me salvo quando crio. Me alivio de algo pior quando coloco aqui o melhor de mim. As letras me religam por dentro, me emocionam e me fazem viva. Estou melhor da gripe. Fica aqui apenas essa crônica e a certeza de que as palavras me salvam sempre de alguma dor que nem eu mesma sei.

Sejam sempre felizes!

Até semana que vem!

1 pessoa comentou

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Tony Ferr

Tony Ferr - 17 de Junho de 2014 às 11:44

Ótima coluna Tammy!!! Parabéns!

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