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Uma Alemanha literária para nós!

16 de Julho de 2014 | Tammy Luciano

Na final da Copa do Mundo, torci pela Alemanha. Sou neta de índio e alemão, nada contra a Argentina, mas meu passado familiar falou mais alto. Continuamos pentacampeões, agora é esperar 2018 e deixar para lá o triste 7x1. Ou pelo menos tentar. Que de alguma forma, fique uma lição de amadurecimento, aprendizado e um futebol melhor para o nosso amanhã.

Como não sou especialista em futebol, vamos ao que adoro falar: Literatura! Não quero perder a oportunidade de contar aqui sobre escritores alemães, que marcaram a história da minha vida e até fortaleceram meu crescimento como profissional, atriz e escritora.

Meu primeiro encontro com a escrita alemã, certamente, foi com os Irmãos Grimm, criadores de várias fábulas infantis como Rapunzel, Pequeno Polegar, Bela Adormecida, Branca de Neve e os Sete Anões. Sem essas histórias, talvez, eu não fosse hoje uma profissional da escrita. Lembro muito da minha mãe me presenteando com livrinhos dos Irmãos Grimm. Eu ficava horas no quarto lendo esses livros, marcantes na história da minha vida e certamente na de milhões de pessoas.

Meu segundo encontro com a literatura alemã foi com um livro muito denso, marcante na minha geração, uma espécie de “você precisa ler”, dos adolescentes da minha época. O livro Eu, Christiane F., 13 anos drogada e prostituída nada tinha de educacional. Autobiográfico, retrata a vida de uma garota em Berlim, se envolvendo com drogas e seguindo um caminho assustador de uma liberdade prisioneira. Sem rumo, perdeu todos os limites e fica como uma espécie de exemplo a jamais ser seguido. Ficou em mim o estarrecimento com essa leitura, mas a certeza de que os livros podiam me levar para muitos lugares, até mesmo para o universo dos jovens alemães.

A história de Christiane F., que meus pais não me impediram de ler, serviu para me alertar sobre os perigos das drogas e sobre uma liberdade sexual que atrapalha ao invés de ajudar. Curiosamente, ainda consigo me ver deitava na cama, lendo o livro e descobrindo que podiam existir muitos mundos, além da minha singela existência. 

Outro autor alemão que vale ser citado aqui é Friedrich Nietzsche, filósofo que escreveu sobre moral, religião, cultura e vários outros assuntos, sempre surpreendendo com frases extremamente marcantes: “Se minhas loucuras tivessem explicações, não seriam loucuras". Não sou nietzschianista, mas li algumas coisas sobre a vida pessoal desse escritor. Ele não teve uma vida pessoal muito fácil, sofreu com crises de loucura e recebeu um “não” para o pedido de casamento feito a Lou Andreas-Salomé. Talvez caiba bem nesse caso a frase: "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura”. O pensador, autor de Assim Falou Zaratustra falava muito do ‘niilismo’ - resumidamente seria a falta de sentido nas questões. Vale pesquisar mais sobre o assunto! - e morreu de um colapso mental, depois de assistir ao açoitamento de um cavalo. Triste fim de um homem que amava estudar, pesquisar e melhorar o mundo por meio de palavras e pensamentos: "Sem música, a vida seria um erro”. Lembro, aliás, de ter lido sobre Nietzsche, durante a vida, tentar explicar seus insucessos literários, chegando a dizer que nascera póstumo, para os leitores que ainda viriam depois da sua morte. Talvez fique como explicação de que nem todos os autores poderão viver seus sucessos em vida. Triste, mas vale a reflexão. 

Não posso encerrar essa coluna sem falar de Bertolt Brecht, um dramaturgo, poeta e encenador que fez parte da minha vida teatral. Foi um dos grandes revolucionários das teorias do teatro, dando um sentido social para as encenações, escreveu muitas peças, entre elas “Um Homem é um Homem” e “Mãe Coragem e Seus Filhos”. Como professora de teatro, falei muito de Brecht nas aulas, comparando suas opiniões e análises teatrais com as do russo Constantin Stanislavski.

A Copa se vai, o Brasil perde de maneira terrivelmente inesquecível, mas fica para nós uma Alemanha inteira para conhecer e pesquisar. Os jogadores foram muito queridos, trataram o nosso país como nação e deixam aqui, no relacionamento com as pessoas, lindos exemplos de carinho, simpatia e respeito. Encerro com uma frase de Nietzsche, cabendo bem para a nossa ressaca moral: "Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar".

Sejam sempre felizes!

Até semana que vem!

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