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Momento chá de camomila na vida do escritor!

27 de Março de 2014 | Tammy Luciano

Olho a parede branca na minha frente. Já sei o tema da coluna desta semana, mas fico procurando o tom certo da escrita, as palavras adequadas... Às vezes, a única certeza latente em mim é essa procura por palavras. Isso seguirá comigo, em busca de dizer exatamente o que estou pensando, para sempre.

Entreguei o livro novo para o meu editor. Não quero incomodá-lo com perguntas, mas por que não dizer...

- Está gostando, editor?

Assim que encaminhei a minha versão final do livro, junto aos meus novos sonhos, personagens, ideias, planos, passos e suor emocional, senti um vazio já conhecido. Sentei no sofá e fiquei assistindo à TV desligada, olhando meus livros anteriores, pedindo ajuda para me lembrar como é superar essa etapa. Um alívio sim, mas um vazio junto e com a intensidade de quem termina um namoro. Eu estava sendo jogada fora pelo meu próprio livro e ele partiu feliz da vida, não me olhou uma segunda vez e demonstrou uma liberdade rara.

- Não preciso mais de você, escritora!

Senti uma vontade enorme de reclamar meus direitos, como a mãe com o filho todo arrumado na porta, pronto para sair e ela resolve dizer tudo que fez por ele. Daquela febre que não a deixou dormir por três dias, ou quando ele deu o primeiro passo e ela estava ali, pronta para ampará-lo. E do dia em que correu para o hospital de camisola, pantufa e jaqueta jeans para ele levar pontos na cabeça. A mãe está pedindo atenção e tudo que o filho sabe dizer é...

- Mãe, tô atrasadão, posso ir?

Quando a porta fecha, ela pensa em tomar um chá de camomila, ou quem sabe andar na bicicleta ergométrica. Resolve ligar para a irmã que mora em São Paulo.

- Ah, por favor, seu filho está com 20 anos. Você queria ele em casa em um sábado de noite? Ele quer sair, namorar, viver a própria vida. Criamos nossos filhos para o mundo.

Paro de escrever esse texto e volto o olhar para a parede branca. Eu também não escrevo livros para mim, mas para voarem em lugares onde meus braços não alcançam. Ou talvez coloque no papel histórias que sejam completamente para mim, mas sou uma apaixonada pela ideia de dividir com os leitores. Seja como for, hoje, me sinto escrevendo para dois mundos:  o interior e o exterior. Essa transferência entre um e outro envolve o autor em uma espera de longos minutos, horas e dias até receber a aprovação do seu texto.

E, aliás, eis uma pergunta que muita gente me faz: se você já é contratada de uma editora, basta escrever o livro e ele está automaticamente aceito? A resposta é não. Ou seria melhor dizer "não, ainda bem"? Claro, você já tem um contrato e essa análise acontece após o envio do original, evitando aquela espera em uma pilha de livros. Você já faz parte da máquina da editora e eles priorizam quem já está sendo publicado, dando continuidade ao investimento individual em cada autor. Entretanto a editora tem alguém pensando em nome da sua linha de edição e o responsável por ela tem o poder do sim, não e negociar em nome das escolhas editoriais da empresa. Ele também nos diz se o livro passou do ponto, se ficou crível, o que poderia melhorar, se a gente estava muito doido ou - o céu escute -, acertamos em cheio. E a intenção desse profissional é aproximar o olhar do autor com o da editora e certamente com o olhar do leitor. A editora pensa no leitor o tempo todo.

Se não tivesse a figura do editor nesse processo, opinião minha, muitos livros não seriam sucesso, já que ele também vende o produto internamente, fazendo com que todos na editora tenham vontade de divulgar, comercializar elutar pelo sucesso daquele original. Junto com o escritor uma parceria se solidifica, analisando cada capítulo do livro, trocando opiniões, mudando detalhes e até finais de livros, para o bem maior da história. 

Assim, o livro deixa de ser um projeto pessoal para virar um trabalho coletivo. Essa é uma fase mágica do processo, mas enquanto ainda estou na etapa da espera, acho que vou de chá de camomila. Vocês estão servidos?

Sejam sempre felizes!

Até semana que vem!

3 pessoas comentaram

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Lya Gallavote

Lya Gallavote - 28 de Março de 2014 às 11:17

mesmo você estando em uma das melhores editoras, tenho sã consciência da sua ansiedade. Agora imagine a minha ainda batalhando por um espaço. Vamos tomar um chá juntas. Beijos

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Edson Gomes

Edson Gomes - 27 de Março de 2014 às 22:29

Cada obra um desafio. Ser aceito ou não é um questionamento constante ao final de cada trabalho. E toma-lhe chá!

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Iasmin Cruz

Iasmin Cruz - 27 de Março de 2014 às 11:54

Só posso te dizer uma coisa Tammy: Que você tenha muitas sensações dessa e tome muitas xiícaras de chá, para que sempre possamos ter mais e livros seus.

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