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O José Wilker escritor não morreu!

11 de Abril de 2014 | Tammy Luciano

Morreu José Wilker. Bateu uma tristeza por causa disso. Primeiro o susto inicial. Abri um site de notícias e lá dizia que o autor morrera. Como assim? De quê? Tão talentoso, na minha visão uma pessoa jovem, inteligente. Ainda sonolenta, duvidei, reagi levando o corpo para trás, incomodada com a informação de um infarto fulminante e tentando me certificar da veracidade da notícia. Chato quando gente bacana nos deixa. Aliás, a morte toda é um incômodo. Por que não ficou mais? Por que tinha que ir? E me pergunto sobre essas despedidas inesperadas, sem mais nem menos. Se é que alguma morte pode ser mais nem menos.

O ator José Wilker, aniversariante no mesmo dia 20 de agosto que eu, tinha tantas qualidades profissionais que nem todas sobressaim para o grande público. Vi muita gente descrevê-lo como ator, diretor e crítico de cinema, mas aqui estou para ressaltar seu lado não tão comentado, como persona de autor-dramaturgo-escritor. Sim, José Wilker também tinha um lado escritor e aquele mesmo deboche no sorriso inserido nos seus textos.

Ressalto nessa crônica duas versões do Wilker escritor. A primeira delas no livro com a peça de teatro “Em algum lugar fora desse mundo”, de 1979. Comprei o livro em um sebo quando estava no auge das minhas pesquisas teatrais, fazendo curso de teatro na CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, Rio de Janeiro -, louca para devorar tudo que via pela frente. Lembro de adorar o título marcante e fazer a observação mental de que aquele ator das novelas também escrevia. Sobre a segunda versão do Wilker escritor, fico feliz em ter em comum com o ator ter sido colunista no Jornal do Brasil. Tive por mais de um ano uma coluna Jovem no JB Online e, no caso do Wilker, suas colunas viraram livro. Em 1996, o ator lançou “Como deixar um relógio emocionado”, uma coletânea de crônicas, com textos sobre cinema. Um crítico sem muita preocupação com a necessidade de ensinar, exercendo a escrita, publicando textos sobre filmes e misturando suas profissões em um só livro. 

Nem todas as pessoas ficarão sabendo desse lado, mas eu tinha que contar para vocês. Afinal, como atriz, escritora, apaixonada por livros, vi poucas pessoas comentando sobre essa versão escritor. Penso que, se não tivesse nos deixado aos 69 anos, Wilker futuramente seria um romancista. Uma pena! Foram-se os livros que jamais serão!

Mas...

Dizem que quem escreve livros ficará vivo para sempre. José Wilker não morreu, me apresso a pensar. Está aqui na prateleira de casa, talvez na sua e certamente na de muitas pessoas. Assisto os comentários da sua morte e ainda acho meio fora do tom. Sinto ele vivo em seus livros e para sempre como o grande ator, diretor, dramaturgo... Bem, José Wilker, descanse em paz, mas, me apropriando do título da sua peça, você nunca estará fora desse mundo, simplesmente porque sua presença artística, seu legado de paixão pela arte deixarão momentos marcantes de suas atuações em nossas mentes e suas palavras escritas ou faladas poderosamente propagadas.

Sejam sempre felizes!

Até semana que vem!

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