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O coração da família do escritor

23 de Abril de 2014 | Tammy Luciano

Na semana passada, fui ao lançamento do livro “Dias Perfeitos” do meu amigo Raphael Montes. Evento lotado, amigos escritores presentes, como a também amiga e escritora da  Novo Conceito Graciela Mayrink (“Até eu te encontrar”) e o astral não podia ser melhor. Penso que quanto mais unidos sejamos nós, autores brasileiros, melhor estará a Literatura Nacional. Aprendi isso com o teatro. Um ator prestigiando outro, dividindo a felicidade de colocar no palco mais uma peça. 

Enquanto eu e os amigos escritores Bianca Carvalho, Edson Gomes e Marcus Siani entrávamos na fila para pegar o nosso autógrafo, um detalhe no evento me trouxe uma reflexão. Como escritora, adoro ser observadora. Lá fiquei vendo o entusiasmo dos leitores, a comemoração declarada dos amigos e a mãe do Raphael Montes que me fez lembrar muito a minha, no lançamento de Garota Replay. Dias antes, Raphael esteve no Programa do Jô, seus pais na plateia, e eu lembro que aconteceu o mesmo comigo. Minha ida ao Jô foi uma espécie de presente familiar. Seguimos para São Paulo cobertos de comemorações e fiquei feliz quando, ao assistir a entrevista pela TV, vi o sorriso genuíno dos meus pais. Hum, bem, meu pai não sorriu muito, estava nervoso demais para lembrar disso. Mas sorriu por dentro, posso garantir.

Voltando para a livraria, primeiro, a mãe do escritor estava na fila com um grupo de amigos na minha frente. Reparei o olhar brilhante, a felicidade de mãe por presenciar um momento tão especial na vida de quem ela ama e a leveza do momento aparente. Se a mãe do Raphael me permite dizer, ela estava a verdadeira mãe do noivo, dona da festa, sem nenhum ato exagerado, muito discreta, e, caso alguém tenha reparado, certamente vivendo um dos seus dias mais felizes.

Aproveito o gancho para comentar sobre os sentimentos que envolvem a família de um escritor. O nosso trabalho não é fácil e a conquista do sucesso uma longa caminhada. Ninguém decide em um sábado escrever um livro e na próxima sexta está sentado em uma cadeira de uma livraria pronto para autografar. Ah, quem dera fosse! As etapas para a publicação de um livro são longas, exigindo muita paciência, determinação, espera e consciência não só do autor, mas das pessoas mais próximas. Até porque, decidir escrever um livro significa, antes de mais nada, seguir um bom tempo escrevendo o livro e depois meses buscando uma editora. A família vive tudo isso junto, engole também os nãos, sofre com a espera, duvida igual a você das possibilidades, pensa em desistir, te desanima nos dias mais difíceis por excesso de amor, se enche de esperança quando uma editora abre uma possibilidade e pula pela casa quando o sim chega.

Existem pais, irmãos, avós, tios que não fazem isso? Você se sente sozinho na sua batalha? Pense na possibilidade do amor duvidar do sonho. Tanto amor e o integrante da sua família conclui: “Foi essa a furada que ele escolheu para a vida toda? Não posso apoiar. Não tenho como concordar. E se eu discordar, quem sabe ele não decide ficar sentadinho feliz na cadeira de um escritório, dando plantão como advogado?”

Não sei como é ser um familiar de um escritor, mas conheço o efeito mágico que o apoio das pessoas tem na nossa vida. Lembro muito da minha mãe recebendo os amigos no lançamento de “Garota Replay”. Aquela felicidade genuína era minha e os meus mais nobres sentimentos voltavam para ela. A longa fila, as pessoas com o livro na mão, os sorrisos que a gente quer fotografar e a sua família ali, olhando tudo aquilo. Meus pais tirando fotos com os amigos, abraçando, agradecendo a atenção por terem ido me ver, minha irmã observando a cena e pensando: “Livraria lotada e eu lembro quando ela escrevia para ninguém”. Bem, minha irmã nunca me disse ter pensado isso, mas vejo como algo bem possível.

Há mais de um ano, conto com o apoio mais presente do meu pai nos eventos que participo. Fico feliz de perceber como o carinho das pessoas comigo atinge em cheio o seu coração. Agradeço o meu trabalho ajudar a mostrar a ele que não estava louca quando fiz minhas opções profissionais. Não raro, voltamos de algum autógrafo em escola ou livraria com ele comentando no carro: “Minha filha, aquela moça chorando, como ela adora você! Fiquei impressionado com aquele leitor, como gosta dos seus livros! Viu a menina passando a mão no seu cabelo?” Talvez os escritores não escrevam apenas para si, mas para mostrar aos que amam, as pessoas gostando de suas palavras, aprovando suas histórias, curtindo suas criações e fazendo o amor girar na intensidade mais perfeita, capaz de aproximar ainda mais os laços familiares e fazer a gente voltar para o ninho com um gostinho de vitória tão imenso quanto o dia do nosso nascimento.

Encerro a coluna com um trecho do livro “Laços Inseparáveis”, da Emily Giffin: Ela me olha e sorri. E eu sorrio de volta para ela porque percebo que ela sabe o que estou pensando e sentindo. Melhor ainda, posso dizer que ela está sentindo a mesma coisa”.

Sejam sempre felizes!

Até semana que vem.

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