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Literatura não pode ser vingança!

13 de Maio de 2014 | Tammy Luciano

Muita gente quer ser escritor no Brasil, certo? Errado? Depende de quem é você. Se não for um leitor costumeiro e pouco frequentador de livrarias, provavelmente, vai me dizer: “Ah, ninguém quer ser escritor aqui, imagina. O povo deseja ser ator famoso, cantor”. Aliás, você nem me responderia isso, porque não estaria lendo esta coluna. Se você é escritor com livros publicados, percebe um número razoável de pessoas querendo ser autor. Se está começando na carreira, simplesmente vai achar o mesmo que um amigo meu, ator, que afirma: “O mundo inteiro quer ser artista. Todos...”. Dizia ele, aturdido e quase gaguejando, “É impressionante. Onde vou, tem alguém querendo a carreira! Outro dia, o garçom me disse ser seu sonho”.

Paro por um momento o texto, bebo água e fico pensando em todas as barreiras que um autor precisa vencer. A profissão tem momentos de desgaste, batalha e uma longa caminhada que não deixam a desejar a nenhum esportista de triathlon. Alguns dias, sentada na cadeira, trabalho tanto, escrevo tanto, produzo tanto, gravo vídeos, faço ligações... São tantos tantos que não me resta nada. Deito na cama e penso nas pessoas comentando comigo que estou “só curtindo a vida boa de escritora”.

Entre o tempo de decidir ser escritor, a publicação de um livro, ter leitores, começar a ganhar dinheiro com o seu trabalho e ter algum sucesso, existe um sofrimento florido pelo caminho. Você sabe que está passando por uma série de dificuldades, mas aguenta. Uma hora vai melhorar. As pessoas próximas não costumam dar a atenção esperada: “Esse negócio de viver de livro poderia dar certo na Inglaterra, mas no Brasil, até quando vai insistir nisso? Ninguém vai comprar o seu livro, tem um monte de escritor sem editora. Impossível ganhar dinheiro...”. E uma série de outras falas que engasgam. É aí que você erra, decidindo dar prosseguimento ao seu trabalho, decretando que “Essas pessoas vão ver só, quando eu fizer sucesso, muita gente vai pagar a língua”.



Posso ser otimista, mas não acho que a Literatura combine com vingança. Entenda bem. Existe diferença entre literatura com vingança e literatura de vingança. A primeira opção me parece péssima. Uma personagem vingativa pode render um best-seller, mas um escritor com a mesma característica arranha a intimidade de seu livro. Não escreva para jogar na cara de um familiar sua capacidade. Não gaste tempo para publicar e mostrar para um ex-namorado que conseguiu. Se delicie sim em mergulhar no universo de uma história com vingança, porque o tema rende ótimas tramas sempre. Se não fosse esse sentimento, o que seria do clássico O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas? No livro, o personagem Edmond Dantés, preso injustamente sob falsa acusação, consegue escapar da prisão e a vingança é o único sentimento que carrega. Em Carrie, a estranha, Stephen King conta a história da garota esnobada na escola por professores, alunos e até pela própria mãe. Com poderes estranhos, um dia decide devolver todo o tratamento recebido.



Tudo bem, é otimismo demais. Sei de casos comprovados de escritores com milhares de livros vendidos, carregando raivas e amarguras, usando a literatura para mostrar serem poderosos, capazes e vencedores, com tudo regado a muita vingança. “Está vendo onde cheguei e o tamanho do meu sucesso?” Quer um conselho? Não faça isso com você. Em algum momento, algo vai melhorar.

De repente, uma grande editora valoriza o seu trabalho, seu livro estará nas livrarias, o tempo ficará curto para responder aos leitores e muitas cidades o convidarão a participar de feiras literárias. Mas... Deixe de se achar muito importante e pense que algumas pessoas desprestigiam você porque, realmente, não fez sucesso e, quando fizer, tudo estará certo. Olhe para a frente, foque na carreira, trabalhe e esqueça esse sentimento de vingança. Pode ser que ninguém note, mas posso garantir, você descobrirá; a vingança é como uma tatuagem, daquelas deformadas, que perderam a beleza e a gente sonha em apagar.

Sejam sempre felizes!

Até semana que vem.

4 pessoas comentaram

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Kel Costa

Kel Costa - 14 de Maio de 2014 às 19:47

Arrasando como sempre! Se nos deixássemos consumir pelo desejo de vingança toda vez que nos falassem algo desencorajador, não haveria paz.

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Edson Gomes

Edson Gomes - 13 de Maio de 2014 às 15:36

Verdade pura Tammy! O escritor deve ter amor a sua profissão e levar o prazer aos leitores. Só assim o sucesso virá! Belo texto! parabéns!

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Lucas Borges

Lucas Borges - 13 de Maio de 2014 às 14:37

Olha, melhor texto que já li em sua coluna, Tammy! Parabéns!!!!! Muito bom ?

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Tony Ferr

Tony Ferr - 13 de Maio de 2014 às 14:29

Nossa!!! A coluna de hoje foi 10! Parabéns Tammy, muito legal o assunto que você abordou. Realmente vingança não leva ninguém a nada, pode até levar, mas sua alma está manchada para sempre. Abraços.

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