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Quer liderar com sabedoria? Então oriente-se!

21 de Agosto de 2013 | Que Negócio é Esse?

O executivo e o elefante

Os indianos estudam a mente de uma maneira muito diferente dos ocidentais. Eles se concentram no estudo da própria dinâmica cerebral, o que chamamos de meta cognição. Aqui no ocidente, as correntes de estudo, principalmente nas Ciências Sociais, tendem a privilegiar a compreensão da forma como nos relacionamos com as pessoas. A pesquisa oriental privilegia o foco no self e a ocidental no outro, no mundo exterior.

Mas será que dá para liderar uma equipe sem se conhecer antes? É possível ter um nível excepcional de controle e não cometer erros e julgamentos inapropriados se não sabemos como nos observar? Estas questões estão no cerne da nova visão da Liderança, um comportamento que vem sendo acompanhado de perto pela neurociência e ao qual se dá o nome de neuro-liderança.

Nesta nova visão, e estudos, os holofotes estão voltados para a compreensão do interior do líder antes que ele tente entender o interior dos seus colaboradores, sua equipe. A neurociência tem podido ajudar bastante no desenvolvimento do comportamento líder. Talvez devêssemos até incluir nos estudos de recursos humanos um módulo de metacognição.

Richard L. Daft, professor de Liderança na Owen Escola de Administração da Vanderbilt University trata deste assunto com muita propriedade e uma leveza incrível no seu livro O executivo e o elefante, recém-lançado no Brasil.

O pensamento indiano já sabe, há muito, o que a neurociência vem descobrindo faz pouco tempo: não temos total livre-arbítrio ou autocontrole como imaginamos, pois existem áreas cerebrais mais antigas (tem gente que até diz mais “primitivas”) que processam as emoções e os instintos de sobrevivência que nos controlam em várias situações sem que percebamos.

Estas regiões cerebrais promovem aqueles impulsos quase indomáveis que nos acometem com frequência, na vida e no trabalho. Quando nos damos conta já fizemos, ou já falamos algo, sem pensar nas consequências.

No entanto, há quem possa nos dar um melhor controle dos nossos atos, uma outra área cerebral — evolutivamente mais recente — o córtex pré-frontal que processa o pensamento, o planejamento e as consequências dos nossos comportamentos orais ou físicos.

Os indianos entendem como ninguém este olhar para dentro de si e controlar o elefante — que representa os instintos e as emoções — através do seu executivo interior, que é a área pré-frontal.

O elefante é rápido, impulsivo e sua inquietude, muitas vezes, é intensa e difícil de ser controlada, pois ele procura recompensa imediata e vive para defender o organismo em que está inserido, bem como suas atitudes, com unhas e dentes. Tem também intervalos de atenção muito curtos e se distrai fácil, mudando o foco rapidamente, às vezes sem terminar uma tarefa (seja ouvir um colaborador, seja se concentrar num projeto). Já o cérebro executivo não reage de maneira tão exagerada às situações, é mais ponderado.

E para se tornar um líder no sentido pleno, se faz necessário olhar para si, para sua mente e assumir o controle do seu próprio pensamento, modificando as conexões neurais negativas e improdutivas.

Esta capacidade, a capacidade de modificar conexões neurais negativas e improdutivas, é uma prerrogativa da nossa espécie, uma capacidade dos seres humanos, mas pouco usada, pois é preciso muita concentração e uma tremenda força vontade, para mudar o que se está acostumado a fazer. E modificar a maneira como você lidera, às vezes, significa subverter todos os hábitos que você criou até então. Por isto vou acrescentar mais uma prerrogativa necessária para que cheguemos ao lugar em que queremos estar: é preciso coragem para assumir que precisamos nos modificar.
“Aquele que deveria governar os outros deveria primeiro ser o mestre de si mesmo”. Philip Massenger

Quer ser um grande líder? Então faça como os indianos: olhe para si e oriente-se de dentro para fora (e não ao contrário, com tem aprendido na escola ocidental, tentando controlar os seus liderados antes de saber como controlar-se).

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