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Senhora x Orgulho e Preconceito

24 de Abril de 2014 | Marina Carvalho

O que uma obra de José de Alencar e outra de Jane Austen podem ter em comum? Para mim, “Senhora” e “Orgulho e Preconceito” têm tudo. Ambas são ambientadas no século XIX, descrevem a sociedade da época — burguesa, esnobe —, ainda que de locais bem diferentes: Rio de Janeiro e Inglaterra.

O núcleo das tramas gira em torno de um casal que passa boa parte da história trocando farpas e se odiando mutuamente. E o dinheiro — o excesso e a falta — acaba sendo o fio que, ao mesmo tempo, separa e une os personagens.

Jane Austen, por ser uma mulher à frente do seu tempo, emprestou à Lizzy Bennet um temperamento atípico para as moças daquele século. Ela é uma heroína ao avesso das mocinhas de outras histórias românticas, pois não vive a suspirar pelo príncipe encantado, não se preocupa com as aparências, é extremamente altruísta, sem falar da língua ferina, que não poupa ninguém, nem mesmo a insuportável, mas megarrespeitada, Lady Catherine. 

Já José de Alencar, apesar de ser homem, conseguiu criar uma Aurélia Camargo muito particular em suas características e deu voz a um personagem feminino de uma maneira não muito comum para 1875. Aurélia é teimosa — como Lizzy —, independente — idem —, voluntariosa — idem, idem (risos) ­—, e até inconsequente às vezes (mais idens). 

Duas mulheres separadas por um oceano e duas culturas distintas, mas próximas nas atitudes e temperamentos.

Para mim, não existe cena melhor do que o choque de Fernando Seixas ao lhe revelarem a verdade sobre o seu casamento com Aurélia. Assim como acontece com o irresistível Mr. Darcy, quando Lizzy recusa, na lata, o seu apaixonado pedido de casamento (corajosa ela, não?). 

Aliás, muito da qualidade das duas obras se deve aos protagonistas masculinos de ambas: Fernando, charmoso, culto, mas um tanto sem personalidade (embora haja uma boa justificativa para isso — vou defendê-lo — risos); Mr. Darcy. Ah, Mr. Darcy! Prefiro nem comentar. Só digo que ainda está para nascer um "mocinho" como ele na literatura.

 

Bom, é isso. Dá para gostar de livros clássicos. É só se desarmar e deixar a história fluir. Brasileiros ou não, os clássicos não deixam nada a desejar se comparados com os livros atuais. É claro que tem a questão do vocabulário mais erudito, mas isso um bom persistente tira de letra.

Recomendo a leitura dos dois. E dou cinco estrelinhas para cada!

Espero que tenham gostado da coluna de hoje. Quem já leu uma ou até mesmo as duas obras? Quero saber! 

Um abraço a todos e até a semana que vem!

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