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Gosto literário: cada um tem o seu

31 de Julho de 2014 | Marina Carvalho

Tempos atrás, deitada na cama para dormir, comecei a visualizar minha primeira aula de 2014 numa das turmas do ensino médio. Decidi que queria começar o ano letivo de forma diferente, para levar os alunos a refletirem sobre o papel da literatura nas nossas vidas e não apenas enfiar a disciplina goela abaixo deles. 

Então a seguinte pergunta me veio à cabeça: O QUE É LITERATURA?

Tenho um DVD aqui em casa, produzido pelo gramático William Roberto Cereja, de quem sou fã de carteirinha,  no qual diversas pessoas - umas leigas, outras não - definem o vocábulo literatura. Fico com a seguinte: "Literatura é a arte da palavra.", citada pelo crítico Manoel da Costa. Ou seja, segundo ele, a partir do momento em que você escreve sem tons informativos, técnicos, científicos, está produzindo literatura. Ou não? 

Não sei... Já vi muito jornalista artista por aí, cujas reportagens são verdadeiras obras literárias. 

Portanto tenho para mim que definir literatura é uma tarefa um tanto vaga. Vai muito da subjetividade de cada um. Querem ver uma coisa?

Paulo Coelho. Muito se discute a respeito de sua qualidade. Não estou aqui para entrar nessa questão, mas sim, para esclarecer um fato: ele é o autor nacional mais vendido no mundo. Aliás, figura no topo da lista dos escritores mais lidos do planeta. Apesar disso, os acadêmicos insistem em taxar suas obras como não tendo valor literário, mesmo ele sendo ocupante da cadeira número 21 da Academia Brasileira de Letras. Querem contradição maior que essa? 

Falam que o conjunto de obras do autor é popular. Por acaso Machado de Assis não era, ou José de Alencar? Não vieram deles as primeiras tentativas de ampliação do público-leitor, já que escreviam num tom menos academicista? 

Nesses meus anos de sala de aula, como professora da área das Linguagens, percebi que é um trabalho em vão tentar definir para os alunos o termo literatura, porque, assim como a pintura, a escultura e outros produtos culturais, tudo depende muito da percepção do público, da maneira como cada um vê o texto.

Sempre penso nisso. E acho que a dúvida vai persistir eternamente em minha cabeça, o que, de certa forma, é bom. Porque, caso houvesse uma resposta prontinha, penso que a arte literária seria muito engessada. 

Dessa forma, aconselho: se quer ler, leia, mesmo que o livro tenha uma “pegada” de entretenimento, seja pouco profundo ou fantástico demais. Quanto mais vorazes somos em se tratando de leitura, maior vai ficando nosso vocabulário, nossa capacidade de abstrair, raciocinar e fazer sínteses

Em matéria de livro, o que vale é ler o que gostamos.

Desejo um excelente fim de semana a todos. 

Abraços!

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