Editora Novo Conceito

Publicidade

Banner exemplo

Ser Escritora é: ser blogueira literária

19 de Setembro de 2014 | Lu Piras

Esta não é uma sexta-feira como outra qualquer na minha coluna. Hoje encerro a série de seis textos do “Ser Escritora é”. Para isso, eu queria escrever sobre um tema que fosse tão importante quanto um último capítulo em uma história. O desfecho deve ser o momento mais aguardado. Mas não quero dar ares de despedida ao término desta série. Tanto quanto adoro escrever os inícios e os finais das minhas histórias, a leitora em mim tem compulsão por emendar um livro no outro. Para a Lu leitora, um livro pode terminar, mas a história nunca ter fim. Pode (e deve) continuar na imaginação, e nas páginas de outro autor, e nas linhas de outro enredo. E, até mesmo, nas palavras de um leitor voraz, muito conhecido como blogueiro literário. Alguém aí se identifica?

Então, vou começar esse texto contando um segredo a vocês: existe uma blogueira em mim. E a Lu que lê, que escreve, que bloga, acabou de perceber o quanto tudo isso se complementa dentro dela. Quando decidi publicar um livro, decidi me tornar blogueira. Confesso que a segunda decisão me parecia um desafio maior. Eu não fazia ideia do que seria me tornar escritora, mas o que significava ser blogueira me instigava ainda mais. O mundo da blogosfera literária abriu-se para mim como uma floresta de seres mágicos que se comunicavam no mesmo dialeto (em 2010, ainda predominantemente harrypotteriano. Sabem a ofidioglossia? É a língua das cobras. Tem aplicativo para traduzir! Oi?!), se reuniam em livrarias todos os fins de semana, se vestiam com camisetas personalizadas com frases dos seus livros preferidos, levavam consigo ecobags vazias para carregar os livros que ganhariam nos sorteios dos eventos, conheciam de cor a lista das lojas mais baratas para confecção de bottons, canecas, marcadores de livros e outros brindes que distribuíam para os blogueiros parceiros.

Parceiros. Eu vim a descobrir a importância deste grupo quando comecei a frequentar os eventos. Tive meu grupo também. Embora ele tivesse mais de 250 blogueiros, com apenas 5 deles eu realmente tinha afinidade e podia marcar encontros. Blogueiro que se prezasse precisava sair de trás do computador e participar dos eventos dos blogueiros parceiros e dos escritores parceiros. Ei! Mas eu era blogueira, ou escritora? Chegou um momento que eu deixava de ficar em casa escrevendo para frequentar eventos entre blogs literários dos quais eu não era escritora parceira. Foram os parceiros que eu podia contar nos dedos, os que se tornaram meus amigos, que me fizeram ver que eu não fazia parte daquele mundo. A floresta mágica da blogosfera literária era um universo paralelo ao meu, mas não era o meu. Nossos mundos se cruzaram desde o final de 2010 e durante todo o ano de 2011 até a publicação do meu primeiro livro. Eu tentei ser uma boa blogueira, uma boa parceira. Mas não tive pique para me dedicar ao meu próprio blog, quanto mais aos blogs parceiros.

Porque a escritora em mim falava mais alto e se tornava cada vez mais egoísta, eu havia começado a escrever novos livros, a participar de grupos literários com outros escritores e a viajar para outros estados divulgando o meu trabalho. Meu blog serviria apenas para promover meus livros. Eu não estava mais dividida entre ser ou não ser blogueira. Cheguei à conclusão de que eu nunca havia sido blogueira, mas que ela nunca deixaria de existir em mim. Foi na blogosfera que eu fiz grandes amigos, que conheci grandes livros e seus escritores, que vivi maravilhosas histórias, onde mantive e ainda mantenho a esperança de ver a literatura nacional conquistando mais leitores Brasil afora. Blogs literários não são cartazes de publicidade para os escritores, como eu mesma pensava ser. São pontes de informação e comunicação entre leitores e escritores. Hoje me vejo como uma tábua desta ponte. Mesmo que não atualize meu blog há meses, mesmo que poucas vezes consiga visitar os blogs de que gosto, mesmo que poucos dentre os meus parceiros ainda divulguem notícias sobre mim, não deixo de ser leitora quando escrevo, escritora quando leio, blogueira quando escrevo, escritora quando blogo, blogueira quando leio, leitora quando blogo. Ufa!

E assim será, livro após livro, enquanto houver tábuas nesta ponte. Eu, vocês que visitam este e outros blogs, vocês que têm blogs literários, e os que não têm, mas confiam nas resenhas da blogosfera antes de decidirem comprar um livro; todos nós que fazemos da literatura o nosso espaço comunitário, seja como for, somos esta ponte.

Eu disse que esta seria uma sexta-feira especial. Não porque termina aqui o “Ser Escritora é”, mas por anteceder o que está por vir. E lhes dou a minha palavra (Palavra de Escritora!): uma nova história está sempre começando.  

Nenhum comentário

Seja o primeiro a comentar

avatar novo conceito

Cadastrando sua mensagem, por favor aguarde...

Receba nossa newsletter

Fique por dentro das novidades

Grupo Editorial

Novo Conceito

UMA EQUIPE JOVEM, pronta para DESTACAR-SE NO MERCADO PUBLICAndo CONHECIMENTOS, lançando autores E FAZEndo HISTÓRIA.