Editora Novo Conceito

Publicidade

Banner exemplo

Ser escritora é: participar da Bienal

08 de Agosto de 2014 | Lu Piras

Durante as próximas sextas-feiras vou compartilhar com os leitores do blog um pouco da minha rotina, afazeres e projetos. Hoje inauguro a série “Ser escritora é” com o tema: Bienal. Sente-se confortavelmente onde quer que você esteja, porque eu gosto de escrever. Eu estou à vontade porque sei que vocês gostam de ler. :)

Agosto foi muito aguardado por mim. Tenho certeza de que a maioria dos escritores, assim como eu, deu boas-vindas ao mês da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Por parte do público, durante os dois anos de preparação do evento, há sempre muitas expectativas sobre as atrações da festa. Os dias em que autores estrangeiros convidados não apenas são muito esperados, como são muito temidos. Temidos, sim. Quem já foi a uma Bienal das grandes, seja a do Rio de Janeiro ou a de São Paulo, sabe a loucura que são os dias em que os “ídolos” estão presentes. Lotação, filas quilométricas, distribuição limitada de senhas, gritaria, correria, empurra-empurra, guerra de smartphones, iPads e câmeras fotográficas pelo melhor ângulo para registrar tudo. Testemunhei isso, mas confesso: nunca participei das algazarras. Não por falta do espírito de aventura ou de ídolos (difícil enumerar todos eles aqui), mas porque sempre estive ocupada demais em promover meus livros no estande.

Em minha primeira Bienal, que foi também o meu primeiro evento literário, a Lu, que agora vos escreve, era mais uma ávida leitora na multidão, não sabia que um dia teria um crachá pendurado no pescoço. Era uma aspirante, admiradora, apaixonada. E ainda sou. Sempre serei. Anos depois eu estava com minha primeira obra publicada em mãos (Equinócio – a Primavera), mas sem estande para ficar. Foi uma experiência interessante, andar de estande em estande visitando os amigos e imaginando o dia em que o crachá, que eu orgulhosamente já exibia, um dia teria mais do que a função de identificar a escritora “sem estande”. Lembro-me de que, naquele ano de 2012 em São Paulo, me diverti muito com minhas amigas escritoras do grupo Entre Linhas e Letras. Todas tinham seu lugar no estande onde haviam publicado seus livros, menos eu. Fizemos uma apresentação juntas, fui ficando, e acabei sendo considerada autora da casa pelos leitores que procuravam ali pelo meu livro. Eu me tornei daquela casa pouco tempo depois, com a publicação de a Última Nota, livro escrito em parceria com Felipe Colbert.

No ano passado, eu estava literalmente em casa. Era ano de Bienal no Rio de Janeiro, o Riocentro a poucos quilômetros da minha casa, então, eu pude participar todos os dias. Não era mais uma escritora “sem estande”, mas procurava um novo estande para ficar, já que tinha em mãos novas obras à procura de uma casa que os quisesse. Não precisei tocar a campainha, porque encontrei as portas abertas no estande mais bonito da Bienal (sim, recebemos esse título, com muita justiça, da organização). Eu já me sentia tão “em casa” que acabei passando mais tempo ali no agradável afã de fazer e reencontrar amigos, do que vendendo meu livro. Eu tinha planos mais ousados para meu próximo projeto, se posso assim dizer. Eu queria arriscar mais. E acreditei. Foi ali, em meio ao fluxo contínuo de escritores com objetivo comum ao meu, que entreguei meu manuscrito nas mãos do editor da Novo Conceito. E o resto, bem, vocês sabem. As mãos que o receberam são hoje as de um amigo que não apenas acreditou no livro, como acreditou, sobretudo, em mim.

Aquela que vos escreve agora se considera mais escritora do que aquela que sentava em frente ao computador, à espera de que a inspiração fizesse todo o trabalho. Vou ao encontro do meu leitor, aquele que efetivamente dá o retorno do meu trabalho. Encontro meu leitor nas livrarias, nas escolas, nas redes sociais. Mas só conheço o meu leitor nos eventos literários, quando nos abraçamos, trocamos olhares, e nisso, revelamos mais do que admiração. Revelamos a importância do encontro real para produzir mais ficções que façam sonhar. Não há dia em que eu não me sinta inspirada. É o contato com o leitor a minha permanente inspiração.

Vejo vocês do dia 22 ao dia 31 de agosto, no estande da Novo Conceito na superpróxima Bienal de São Paulo. Aviso aos navegantes que não será necessário retirar senha para minha sessão de autógrafos no dia 30 de agosto. Não porque eu não seja considerada uma atração importante como a Cassandra Clare, mas porque, cá entre nós, ser escritor brasileiro é conhecer todo leitor, saber o nome de cada um e, se possível, adicioná-lo no Facebook para bater um papo ou, quem sabe, combinar um cineminha mais tarde. Aqui, em terra de Bienal do Brasil, estamos entre amigos. Ôpa, acho que acabo de ter uma boa ideia para o nosso próximo tema. ;)

 

1 pessoa comentou

Deixe seu comentário

avatar novo conceito

Cadastrando sua mensagem, por favor aguarde...

Paulo Cesar David

Paulo Cesar David - 11 de Agosto de 2014 às 10:20

Adorei o post , Fiquei com mais vontade ainda de ler os seus livros , e concordo com a organização da Bienal do ano passado , o Estande da NC, era o mais lindo daquele ano

Compartilhar via Facebook Logar via Twitter

Cadastrando sua mensagem, por favor aguarde...

Receba nossa newsletter

Fique por dentro das novidades

Grupo Editorial

Novo Conceito

UMA EQUIPE JOVEM, pronta para DESTACAR-SE NO MERCADO PUBLICAndo CONHECIMENTOS, lançando autores E FAZEndo HISTÓRIA.