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Palavra de Escritora: Timidez

03 de Outubro de 2014 | Lu Piras

A palavra é o instrumento do escritor. O escritor é o instrumento da palavra. Através dele, a palavra pode ser expressa com diferentes significados. E através dela, eu, como escritora, posso atribuir sentido a tudo o que preciso expressar. E posso, até mesmo, encontrar, em toda palavra sobre a qual escrevo, explicação para ser quem e como eu sou. Na coluna de hoje, decidi escrever sobre uma das palavras que durante muitos anos acreditei que me definisse. Embora eu tenha aprendido a compreendê-la, aceitá-la e até controlá-la, a importância dessa característica da minha personalidade sempre influenciará o meu comportamento, as minhas atitudes e o meu posicionamento diante das pessoas.

Timidez.

Sempre foi uma palavra abominável para mim. Durante a infância e a adolescência, essa palavra me “intimidou”. Naquela época, ter a consciência de ser uma pessoa tímida me tornou mais tímida ainda. Reconhecer isso hoje, me prepara para enfrentar minhas inseguranças e ansiedades. Sempre achei que minha timidez estivesse relacionada à maneira como fui criada, à educação que recebi dos meus pais, a uma questão mal resolvida de autoestima e, talvez até, a herança genética. Não sou psicóloga, não sou cientista nem estudiosa do tema, no entanto, sou tímida e sou escritora. Desde sempre me expresso melhor nas palavras. E me pergunto: é a timidez que molda a minha personalidade, ou será a minha personalidade moldada pela timidez?  

O ser escritora é quem eu sou. O ser tímida é como eu sou. A timidez não me define, mas faz parte da minha personalidade. Ser escritora é a minha própria personalidade e me define. Ou seja, ser escritora é minha individualidade porque o modo como eu me expresso, influenciado pela timidez, me fez sempre preferir recorrer a escrita para me relacionar; ainda que eu perceba o quão mais de mim as palavras escritas são capazes de revelar. Acredito que todo o escritor se considere um pouco tímido. É comum que encontrem muitos de nós se isolando do mundo para poder escrever. Essa solidão não é apenas necessária no processo, mas é prazerosa. E aqui, não importa o grau de timidez do escritor. O paraíso é estar a sós consigo mesmo. Meu paraíso é o meu quarto de madrugada.

A tímida em mim se resguarda, se cultiva, se embalsama nas histórias que escrevo. Por vezes, quando a escritora entra em ação, expõe tudo o que a tímida poupou a vida inteira de uma vez só. Mas é justamente quando eu descubro que gosto de ser assim, com esse meu jeito de reservar o melhor de mim para os melhores amigos. E para os meus leitores.

1 pessoa comentou

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Joceano Moser

Joceano Moser - 20 de Fevereiro de 2015 às 13:28

Continuar a vida sem timidez !

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