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Palavra de Escritora: Revisão

17 de Outubro de 2014 | Lu Piras

Quando escolho a última palavra na história que chega ao fim, sei que meu trabalho não encerra ali, nem meu livro terminou. Sei que depois do ponto final, o “felizes para sempre” não é o meu final feliz.  Felicidade seria que o fim fosse a finalidade do escritor. Mas é só o começo. Da revisão.

Não existe o momento certo de começar a revisar. Alguns de nós preferimos ir revisando o texto enquanto o produzimos. Outros deixam tudo para o final. Outros, ainda, não o fazem sequer (ou até o fazem); entregando o árduo trabalho nas mãos de um revisor profissional. Eu disse árduo? Árduo sim. E penoso. E fundamental.

O ato de revisar não precisa ser complicado, mas deve ser enfrentado como obrigação. Talvez, por isso, a maioria de nós se digladie com a necessidade de reconhecer que nenhum texto, por mais que bem acabado, se conclui em si mesmo. A perfeição nunca é alcançada. Há uma palavra que se encaixaria melhor, soaria melhor, daria melhor significado ao que o escritor pretendia que o leitor compreendesse. Mas... melhor para quem?

Se o ser humano é, por natureza, insaciável, nós, os artistas das palavras que temos a petulância de confrontar pensamento e linguagem, nunca estamos satisfeitos, ainda que nos absolvam de subversões literárias (fictícias ou não) por nossos dons. Não há nada de grave em acreditarmos e querermos alcançar a perfeita harmonia em toda e cada palavra que ganhar forma e conteúdo em nossos textos. Escrevendo, apagando, copiando, colando, distorcendo, aglutinando, desfazendo, inventando, retalhando e reescrevendo (ufa!), aprendi uma coisa (além de gostar de gerúndios):

As sílabas não formam as palavras. As palavras se desconstroem em sílabas.

Então, se pouco a pouco desmonto o meu texto, tenho a possibilidade de reconstruir ou renovar uma grande obra. A escritora em mim é nada além de uma edificadora. Eu carrego tijolos. Faço o trabalho pesado. Deixo a decoração para os decoradores. O acabamento quem decide não sou eu. Não finalizo nada, nunca. Não faço da obra-prima a minha obra mais importante porque ela pode ser superada. Só tenho um desejo enquanto reviso: enquanto a literatura me desafiar e eu puder escrever, que eu (e ela) me supere mais. Esse é o meu final feliz. 

2 pessoas comentaram

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Naty Correia

Naty Correia - 20 de Outubro de 2014 às 21:40

Confesso que tenho preguiça de revisar, e por isso sempre opto por deixar tudo para o final.

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Priscila Magalhaes

Priscila Magalhaes - 18 de Outubro de 2014 às 10:51

concordo plenamente com seu texto. Somos construtores nessa árdua tarefa de contruir um livro. Matéria muito boa. beijos

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