Editora Novo Conceito

Publicidade

Palavra de Escritora #1

26 de Setembro de 2014 | Lu Piras

Dando continuidade ao ciclo infinito de estar sempre começando algo novo na minha carreira literária, o convite para escrever todas as sextas-feiras no blog da Editora Novo Conceito, me levou a constatar a importância de manter um diário de pensamentos e reflexões. As palavras que escrevo aqui, que para mim tem um significado, quando chegam a você, meu leitor, se transformam. Essa é a magia da palavra escrita. Um mesmo significado para o emissor, pode corresponder de diferentes maneiras às expectativas do receptor. Muitas vezes, o entendimento da mensagem depende muito do que o leitor quer ler e, principalmente, da imaginação de cada um.

Em meus próximos textos aqui no blog, quero entender, analisar, investigar, questionar tudo o que se fala e ouve sobre a palavra escrita. Hoje, tenho a satisfação de apresentar a série “Palavra de Escritora”, pois a palavra é o meu instrumento e é por meio dela que eu chego a você. Posso dar a elas sentido literal ou figurativo, mas o significado de que procuro revesti-las, sempre conduzirá a muitas possibilidades de interpretação. E, isso, na literatura, me provoca, instiga, fascina. Eu desejo e espero poder compartilhar com o meu leitor todo o sentimento que me leva a escolher, uma a uma, as palavras que tornam o meu trabalho tão minucioso quanto o de um joalheiro. Porém, muito mais frustrante.

Digo aos aspirantes a escritores: enquanto houver um relógio fiscalizando você, não escreva. Mas, escreva, se você não tiver tempo a perder. Do contrário, você estará perdendo tempo. A sua palavra, a palavra do escritor, exige concentração, dedicação, compreensão, atenção. Eu diria até, afeto. Precisa-se afeiçoar-se a ela, estudá-la, inseri-la no contexto adequado. E isso leva tempo. Escreva, não para ocupar seu tempo. Não escreva, se você quer ganhar tempo. Escreva com urgência, mas escreva devagar.

Aí está a beleza da palavra. Gosto de imaginá-las como marionetes no meu teatro de histórias, mas isso é porque insisto em me enganar. A marionete sou eu, que não teria histórias para contar se não fossem elas. Palavras que eu leio, que eu ouço, que são líricas ou rudes, altas ou mudas. Eu posso ouvi-las quando as leio. Há palavras que soam melhor do que outras ao nosso ouvido. E não estou falando de contexto ou de entonação. Adoro a sonoridade de “violeta”. Quantos poemas e cantigas já abusaram do seu tom!

No nosso cotidiano, não exploramos a riqueza da língua portuguesa. Nosso vocabulário é limitado. No dia a dia, na correria da vida, transmitimos o essencial. Mas não a essência. Este é o foco do meu trabalho de escritora. Ele precisa ser aprimorado o tempo todo. E eu preciso de todo o tempo para isso. Por mais perfeccionista que eu possa querer me tornar, lapidar, polir, lustrar, nunca me permitirá determinar o exato valor do que estou transmitindo. Porque quem avalia o meu trabalho é você, o leitor.

Eu sou a joalheira que pode dedicar-se a esculpir as mil facetas de um diamante e, no entanto, não fazê-lo brilhar para ninguém a não ser para mim. Então, ele de nada valerá.

Nenhum comentário

Seja o primeiro a comentar

avatar novo conceito

Cadastrando sua mensagem, por favor aguarde...

Receba nossa newsletter

Fique por dentro das novidades

Grupo Editorial

Novo Conceito

UMA EQUIPE JOVEM, pronta para DESTACAR-SE NO MERCADO PUBLICAndo CONHECIMENTOS, lançando autores E FAZEndo HISTÓRIA.

  • Emily Giffin

    UMA PROVA DE AMOR

    Emily Giffin