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ENTREVISTA COMPLETA COM RAQUEL COZER – JORNALISTA DE CULTURA – FOLHA DE S. PAULO

21 de Agosto de 2013 | Falando de e-Book

“Não penso que os impressos possam acabar, não. Sempre haverá os livros que você quer ter em casa, seja pelo bom acabamento, seja por questões afetivas. Já se falou bastante sobre isso: vão prevalecer as editoras cuidadosas com a edição. E aquelas que trabalham grandes obras, daquelas que dá orgulho de ter na biblioteca em casa.

Agora, é claro que me preocupo: há muito o discurso de que livros digitais devem custar R$ 1,99, ou que direitos autorais devem ser abolidos, coisas assim. Mas o negócio tem de ser rentável para funcionar –inclusive para o escritor. Não se pode negar que a internet exige mudanças no formato atual de direitos autorais, mas também não se pode sufocar a cadeia criativa.  E discordo da ideia de que editores sejam intermediários dispensáveis. Isso vale inclusive no jornalismo: os editores são as pessoas que fazem uma primeira leitura crítica do texto e percebem o que falta, o que pode melhorar. Editores de texto são fundamentais, além de fazerem uma triagem interessante ao selecionar autores, considerando a enorme produção atual. A autopublicação entra como mais uma (e ótima) possibilidade de triagem, esta feita diretamente pelos leitores. Mas, em geral, autores autopublicados também buscam editoras –e vários autopublicados bem-sucedidos dizem que acham seus textos melhores depois de uma boa edição.”

 

1 – Você tem o costume de ler e-book?

Muito! Desde que comprei meu Kindle, em dezembro de 2011, a maior parte do que leio é no formato digital. Gosto muito do livro de papel, é claro, e tenho esse hábito incontrolável de cheirar todo livro que para na minha mão (o que é sempre um prazer a mais quando estou lendo livros em papel). Mas, inclusive porque tenho o costume e a necessidade profissional de ler na rua, no metrô, durante o almoço, enfim, acaba sendo mais prático ler o e-book quando isso é possível. É bom também para ler à noite, depois que tiro as lentes de contato –tenho uma miopia fortíssima, então posso ler no Kindle aumentando a fonte sem precisar encostar o livro na cara.

 

2 – Tem um e-reader? Por quê decidiu comprar? (ou não comprar)

Comprei mais por me sentir obrigada a isso –não fazia sentido ficar escrevendo sobre o mercado digital sem saber do que estava falando. Não imaginava que se tornaria uma ferramenta tão prática de trabalho e de lazer.

 

3 – Quando começou a consumir o e-book, passou a comprar e ler menos os livros impressos?

O que senti, na verdade, foi que passei a comprar mais e-books do que costumava comprar no formato impresso. Porque no digital há o elemento de compra por impulso, você pode comprar a qualquer momento. E porque os livros, especialmente estrangeiros, são muito mais baratos no formato digital. É claro que o elemento de impulsividade pode ser perigoso: uma vez, num bar com amigos, tomando chope, altas horas da noite, falamos sobre o livro novo da J.K Rowling e comprei na Amazon na mesma hora. No dia seguinte, quando acordei, me dei conta de que tinha comprado o audiobook, não o e-book, que ainda não estava disponível para o Brasil. Dinheiro perdido, é claro: audiobook para mim só funciona como método para estimular o sono.

 

4 – Acredita que os e-books podem acabar com os impressos ou é possível conciliar o consumo, de acordo com cada situação?

Não penso que os impressos possam acabar, não. Sempre haverá os livros que você quer ter em casa, seja pelo bom acabamento, seja por questões afetivas. Já se falou bastante sobre isso: vão prevalecer as editoras cuidadosas com a edição. E aquelas que trabalham grandes obras, daquelas que dá orgulho de ter na biblioteca em casa.

 

Agora, é claro que me preocupo: há muito o discurso de que livros digitais devem custar R$ 1,99, ou que direitos autorais devem ser abolidos, coisas assim. Mas o negócio tem de ser rentável para funcionar –inclusive para o escritor. Não se pode negar que a internet exige mudanças no formato atual de direitos autorais, mas também não se pode sufocar a cadeia criativa.  E discordo da ideia de que editores sejam intermediários dispensáveis. Isso vale inclusive no jornalismo: os editores são as pessoas que fazem uma primeira leitura crítica do texto e percebem o que falta, o que pode melhorar. Editores de texto são fundamentais, além de fazerem uma triagem interessante ao selecionar autores, considerando a enorme produção atual. A autopublicação entra como mais uma (e ótima) possibilidade de triagem, esta feita diretamente pelos leitores. Mas, em geral, autores autopublicados também buscam editoras –e vários autopublicados bem-sucedidos dizem que acham seus textos melhores depois de uma boa edição.

 

5 – Qual dos dois você gosta mais? Por quê?

Não saberia dizer. Acho e-books mais práticos e tenho uma relação afetiva com os livros impressos.

 

6 – Cite duas vantagens e desvantagens de cada um.

E-books: a possibilidade de marcar trechos de textos sem estragar o livro, podendo desmarcar depois (não consigo escrever em livros, apesar do charme histórico das marginálias); a praticidade (facilidade de achar trechos, manuseio etc.); a sustentabilidade (livros digitais não exigem a derrubada de árvores…). Entre as desvantagens, e a impossibilidade de montar uma biblioteca física, que a gente tanto gosta de ter em casa. E ainda falta entender como esse mercado pode funcionar sem sufocar a produção editorial e as livrarias.

Impressos: a possibilidade de montar uma biblioteca em casa com os livros preferidos; a existência de livrarias físicas, esses lugares maravilhosos para esbarrar em e folhear livros que de outra maneira você poderia nunca conhecer (já que livrarias virtuais tendem a reconhecer o seu gosto pelas suas compras e te apresentar só aquilo que se parece com o que você já lê). De desvantagens, o fato de muitos livros que são impressos acabarem sendo descartados, o que não é nada sustentável (a expansão da impressão por demanda pode vir a solucionar isso). E o fato de ainda serem muito caros no Brasil, já que aqui as tiragens não conseguem ser tão grandes como nos EUA –quanto maiores as tiragens, mais baixos podem ser os preços dos livros.

 

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