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O desafio do próximo

15 de Setembro de 2014 | Christine M.

Escrever é, para mim, se entregar. Colocar um pouco de si no papel. Assim, quando termino um texto, sempre me sinto vazia. É como se eu tivesse colocado tudo o que tenho para fora. É como se nunca mais eu fosse sentir novamente a plenitude confusa de existir.

Sorte a vida ser tão significativa, tão cheia de fatos inexplicáveis. Ainda bem que ela é repleta de emoções, sentimentos contraditórios e reações controversas. Sorte a minha cabeça emaranhar tudo, pensar demais e acabar transbordando de tanto absorver.

Se eu tivesse que dizer qual é a minha inspiração maior, diria que é o acumular. Eu acumulo reflexões. Penso demais. Sou do tipo que questiona o motivo de todas as coisas, sejam elas bobas ou importantes. Reflito sobre como eu ou as outras pessoas acabaram trilhando os dias. A gente se transforma a cada decisão e, com isso, acaba mudando tudo ao redor. Como seria o caminho se tivéssemos pegado um atalho? O que seria de nós se tivéssemos dito não ao invés de sim? Como seríamos ao lado de outro destino? Jamais saberemos e isso é acumular teorias, pensamentos, dúvidas e sensações.

Acumulo sentimentos. Ouço uma música e mil cenários surgem em minha mente. Assisto a um filme e analiso as escolhas que eu teria feito se estivesse em minhas mãos aquele roteiro. Analiso o mundo e eu jamais suportaria a vida se eu não escrevesse. Provavelmente, eu enlouqueceria se não transformasse angústias em ficção.

E é nesse esvaziar e voltar a se preencher que eu vivo e consigo respirar. Eu sinto um grande alívio quando termino um texto como este ou um de meus livros. É redenção, é como se meu peito nunca mais precisasse voltar a apertar - mas ele volta.

Saber que haverá o próximo é ter certeza de que o peito voltará a doer. Porque escrever é cavoucar lá no fundo da alma, é desestabilizar o que as pessoas passam a vida tentando equilibrar. Escrever, para mim, é expor-se e isso nunca é fácil. Não é simples se encontrar consigo mesmo.

Talvez o próximo seja aquele que me conserte de vez, aquele que me esvazie completamente e tire da minha cabeça tantos questionamentos. Talvez seja o redentor... Se assim for, desconfio que nenhuma letra voltará a sair de mim, pois a minha escrita é feita de tudo aquilo que eu tenho, mas ainda não entendi.

Christine M.
Professora, escrevedora, pensante.
Saiba mais: www.christinem.com.br

1 pessoa comentou

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Sandra Regina Melo

Sandra Regina Melo - 15 de Setembro de 2014 às 15:40

Com certeza é isso,somos somas de tudo que vemos ,ouvimos e vivemos ,temos tudo e ao colocar em uma folha nos "esvaziamos" lindo!

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