Editora Novo Conceito

Publicidade

Banner exemplo

Mulheridades

22 de Setembro de 2014 | Christine M.

Gosto de ser mulher. Não porque acho mais fácil ou mais difícil. Gosto porque nossas facilidades são mais fáceis e nossas dificuldades mais difíceis. Calma, eu explico.

É fácil pensar em um milhão de coisas ao mesmo tempo, é fácil ter que se dividir em personagens e dar conta da rotina. A gente tira isso de letra. Difícil é nunca estar satisfeita, é perseguir a perfeição e pensar que nossas habilidades precisam ser infalíveis. Difícil é acreditar que as pessoas notam o quanto nós fazemos, o quanto crescemos e nos reinventamos. Difícil é querer sempre mais. Nós não temos quietude, conformismo e vivemos com pressa. Há muito que se fazer, sentir, conquistar. A gente vive correndo atrás de alguma coisa que muitas vezes não sabemos o que é.

Ser mulher é divertido. A gente é feliz com coisas bobas e pequenas constatações. A gente é amiga de verdade. Não temos medo de abraços, carinhos e lágrimas. Não temos medo de vulnerabilidade e recomeço. A gente ama com os sentidos, com o corpo, com a razão e com a alma. A gente se despedaça de amor e não tem medo de amar.

Nós não temos medo da dor desde que seja por um bem maior, por isso temos filhos, empregos e sonhos. A gente não tem medo de se machucar. O  meu ser mulher sangra com o corpo e com o espírito. Não há meio-termo, mesmo quando há equilíbrio. Há razão e há sentimento, igualmente, estranhamente.

Somos inventoras da dúvida. Carregamos a arrogância de nos sentirmos o ser mais bonito e incrível do planeta, para no momento seguinte, nos sentirmos as piores. Talvez esse seja o motivo de aceitarmos tão bem as diferenças e o inesperado. Estamos acostumadas a mudar de ideia, a ser surpreendida pelos outros e também pelos próprios desejos e pensamentos. Estamos ainda nos acostumando a nos aceitar.

Temos dificuldade em receber não, mas não em dizer sim. Somos confusas, mas dentro da nossa regularidade. Não queremos só o melhor do outro, desde que o melhor seja nosso. Aceitamos mudanças no contrato, mas não abrimos mão da segurança. Queremos ser tratadas como rainhas e, acredite, a gente é desesperada para tratar alguém como rei.

Nós queremos. Queremos muito. Queremos tudo e queremos logo.

Ah! Eu gosto de ser mulher e gosto por tudo o que digo e por todo o resto que silencio. Gosto porque acredito que toda mulher é céu e abismo, com toda a divindade e perigo que esses termos implicam.

Nenhum comentário

Seja o primeiro a comentar

avatar novo conceito

Cadastrando sua mensagem, por favor aguarde...

Receba nossa newsletter

Fique por dentro das novidades

Grupo Editorial

Novo Conceito

UMA EQUIPE JOVEM, pronta para DESTACAR-SE NO MERCADO PUBLICAndo CONHECIMENTOS, lançando autores E FAZEndo HISTÓRIA.