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Bom presságio

18 de Agosto de 2014 | Christine M.

Foi em um dia chuvoso que eu a conheci. Ela estava com as roupas molhadas e o seu cabelo pingava sobre os olhos a fazendo piscar num compasso nervoso e desajeitado. O brilho daquela imagem está tão fresco em minha memória, que ainda me ofusca entre um pensamento e outro.

Ainda penso sobre o motivo das pessoas simplesmente aparecerem em nossas vidas. Ainda penso sobre o trânsito me atrasar e nos levar, aos tropeços, à mesma calçada. Ainda penso na chuva que compartilhamos.

Não me lembro com clareza dos outros dias que dividimos. Restou apenas um risco do seu olhar, o som alto da sua gargalhada e o cetim que parecia cobrir a ponta dos seus dedos.

Engraçado como a vida se faz parecer comum quando as horas são amenas e os dias bons. Quantas tardes eu tive sua cabeça sobre meu colo, enquanto líamos dispersos? Quantos beijos de despedida nós trocamos sem ao menos notarmos? Quantos passos nós demos com as mãos entrelaçadas?

A verdade é que eu não sei contar os dias de sol que nos separaram e eu não sei imaginar os motivos que a trouxeram e que, depois, a levaram. Apenas sei que ela existiu, que me ensinou a amar e que depois partiu.

Contudo, a temporada de seca também tem fim e o som da água no telhado anuncia a renovação. Eu deveria esperar um novo alguém, desejar que novos olhos pisquem nervosamente para mim. Mas assim como a chuva, ela ressurge em minha vida e só por vê-la eu sou mais feliz.

Ela está em seu costumeiro jeans e meio sorriso. O lápis em volta do olho se espalha de leve pelo seu rosto encharcado. Quis perguntar o que ela faz em minha porta, mas acontece que eu sei. Tudo nela me faz saber. Tudo naquele choroso dia me faz saber que ela também não se lembra.

Quantas noites nós dividimos o travesseiro? Em quantas dessas noites a cama vazia parecia imensa demais? Quantas vezes almejamos o futuro? Quantos sorrisos acabamos deixando para trás?

Eu continuo sem entender o porquê as pessoas aparecem inesperadamente em nossas vidas, mas acabo de descobrir o porquê elas voltam.

 

PS: Esse texto foi escrito em 2.010. Acho que Erik e Marina já viviam em algum lugar escondido dentro de mim. Fico feliz em ver que eles cresceram a ponto de me darem o Enquanto A Chuva Caía.

Christine M.
Professora, escrevedora, pensante.
Saiba mais: www.christinem.com.br

1 pessoa comentou

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Juliana Fraga

Juliana Fraga - 18 de Agosto de 2014 às 21:14

Já vinha há um bom tempo namorando a capa de Enquanto a chuva caía - como sempre NC arrasou- e depois de ler este texto incrível da Christine, eu com certeza vou adquirir o livro. Espero que tenham mais textos como este por aqui, amei demais.

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